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03/01/2009 14:04
Da euforia ao fel, depois ao mel
http://tatodemacedo.blogspot.com/2009/01/da-euforial-ao-fel.html
enviada por Tato de Macedo
28/10/2008 18:52
MERCADO DE CAPITAIS RESPIRA
Mercado já vê sinais de acomodação com ação firme do BC
Por Tato de Macedo
... O País ainda passa por uma redução da oferta de crédito, apesar da série de medidas que o governo vem adotando para restabelecer esse fluxo. Mas o contágio da crise internacional - nas proporções que se tem visto - é mais psicológico e menos relacionado às operações de fato.
Essa é avaliação do ministro Guido MANTEGA feita após reunião com o presidente LULA, da qual também participou o presidente do BC, Henrique MEIRELLES. Isso explicaria porque o mercado aqui, às vezes, parece pior do que lá fora.
... Nesta segunda-feira, o governo anunciou a redução do compulsório dos depósitos à vista para as instituições financeiras que anteciparem depósitos mensais ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Deixariam de ser recolhidos em torno de R$ 6 bilhões. No total, o BC já liberou R$ 160 bilhões em compulsórios, especialmente os relativos a depósitos a prazo, para estimular os grandes bancos a comprarem carteiras de créditos das instituições menores, em dificuldades, com o objetivo de destravar o sistema.
... Se o BC derrubasse essa SELIC, aí resolveria mais fácil esse problema (do crédito), disse a mesma fonte do BDM. Mas, não é tudo isso que o mercado espera do COPOM, que começa hoje (e termina amanhã) a sua reunião de outubro... No máximo, as expectativas são de uma interrupção no aperto monetário, uma parada técnica para ver como evolui a inflação.
... HOJE, a agenda de indicadores nos EUA prevê o índice dos preços de residências em agosto, às 11h, e às 12h, a atividade industrial regional do FED de Richmond e a confiança do consumidor da Conference Board, que deverá recuar para 51,5 em outubro. Entre os BALANÇOS, US STEEL é o único destaque. Os analistas prevêem para a siderúrgica lucro de US$ 7,05 por ação no terceiro trimestre.
... Na EUROPA, saem os resultados do DEUTSCHE BANK, que pode divulgar perdas de US$ 400 MILHÕES com derivativos, segundo a Bloomberg, SANTANDER e BP.
Em tempo...
Ontem, a repórter Beth Moreira (AE) apurou que a venda de veículos em outubro registrou queda de 12% até o dia 24, em relação a setembro. Na comparação do ano, houve queda de 4%. Os números fechados serão divulgados no início de novembro.
BCE. Deverá anunciar hoje a abertura de um programa de crédito para as instituições da Zona do Euro, por seis meses, segundo informou a agência DJ.
BC ataca novamente
... Numa nova investida para girar a liquidez, que ao que tudo indica continua empoçada nas mãos dos grandes bancos, o BC colocou o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como uma espécie de intermediário entre as maiores instituições financeiras e as menores. Instituiu que bancos que anteciparem valor equivalente a 60 contribuições mensais ao FGC poderão abater o valor adiantado sobre o recolhimento do compulsório à vista. O dinheiro captado, por sua vez, será usado para comprar CDBs dos bancos pequenos, com patrimônio de referência de até R$ 2,5 bilhões, o que vai garantir funding às instituições.
... Ouvido pelo jornalista Ricardo Leopoldo (AE), o professor Alberto Borges MATIAS, da USP de Ribeirão Preto, afirmou que, somada às ações anteriores, a medida deve elevar o volume injetado de recursos no sistema financeiro a R$ 160 bilhões e estimular os bancos grandes a liberarem recursos com maior regularidade. "Essa é uma alternativa que deve reduzir o empoçamento de liquidez, acredita. Como não há nenhum custo operacional para os bancos grandes e o risco do CBD será assumido pelo FGC, a expectativa entre os analistas é de que os bancos colaborem. Segundo o diretor-executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno de Camargo SILVA, esse instrumento será uma alternativa ao redesconto, visto com resistência pelos bancos que enfrentam problemas momentâneos de liquidez.
... A falta de fluidez do dinheiro que o BC vem despejando no sistema financeiro mantém o mercado apreensivo e suscetível a boatos. Ontem, o ITAÚ decidiu antecipar a divulgação dos resultados do terceiro trimestre. O balanço completo sai no dia 4. De julho a setembro, o banco registrou lucro líquido contábil de R$ 1,8 bilhão. Não foram divulgados dados comparativos do lucro com o mesmo período de 2007. Agradou a informação de que a exposição com derivativos de clientes era de R$ 2,4 bilhões na última sexta-feira (dia 24), o equivalente a menos de 1,5% da carteira de crédito. ITAÚ PN fechou estável.
... Já o BRADESCO mostrou lucro líquido contábil de R$ 1,910 bilhão no terceiro trimestre, o que representou crescimento de 5,52% sobre o mesmo período do ano passado, em linha com o projetado por analistas ouvidos pela AE. O banco informou que não realiza operações com "derivativos exóticos", denominadas "target forward" ou qualquer outro tipo de contrato alavancado indexado à variação cambial junto a seus clientes. Ainda assim, a ação PN caiu 4,35%. Outras instituições financeiras também tiveram desempenho negativo nesta segunda-feira, como BB ON (-8,24%) e UNIBANCO Unit (-2,10%).
... As consistentes intervenções do BC e a medida sobre o FGC garantiram um dia mais calmo para o DÓLAR.
... A queda do DÓLAR abriu espaço para investidores ampliarem suas fichas na aposta de que o COPOM pode manter a SELIC estável em 13,75% amanhã (quarta-feira). O DI janeiro de 2009, que concentra as posições para as próximas reuniões de política monetária, concentrou a liquidez e encerrou em 14,05% (de 14,44%). O janeiro de 2010 recuou de 17,02% para 16,47% e o janeiro de 2012 caiu de 18% para 17,79%. Mesmo com esse alívio, os prêmios ainda continuam elevados, sugerindo que muita gente ainda não abandonou a idéia de que pode haver mais uma elevação do juro esta semana.
O passado que condena
... Na crise que se expande em alta velocidade, tem sido rápida a piora das bolsas em NY, agora de volta aos níveis de cinco anos e meio atrás, afastando-se cada vez mais dos recordes históricos conquistados antes de a bomba do SUBPRIME estourar. A semana começou tão mal quanto terminou na sexta-feira do 79º aniversário do crash de 29. O DOW Jones (-2,42%) fechou no nível mais baixo desde 1º de abril de 2003, aos 8.175,77 pontos. Também o Nasdaq (-2,97%, em 1.505,90 pontos) e o S&P-500 (-3,18%, aos 848,92 pontos) estão de novo nos patamares que valiam na primeira metade de 2003.
... De seu lado, a ação do GOLDMAN SACHS (que ontem recuou 7,49%) já perdeu cerca de 60% no prazo de um ano. Duas semanas depois de ter investido US$ 9 bilhões na compra de 20% de participação na instituição americana, o MITSUBISHI UFJ FINANCIAL informou nesta segunda-feira que precisará levantar até US$ 10,7 bilhões em capital novo.
... Para Gordon FOWLER (da GLENMEDE), a situação atual "se parece mais com os problemas econômicos que tivemos no período de crashes e pânico que antecedeu a II Guerra Mundial do que com a série de saltos e quebras que tivemos nos últimos 50 anos".
... na Dow Jones, o estrategista Binky CHADHA (do DEUTSCHE BANK) não descartou a hipótese de o euro vir a romper US$ 1,20, ainda mais agora que o juro europeu está com todo o jeito de que cairá na próxima reunião do BCE, dia 6 de novembro. Ontem, o presidente da instituição, Jean-Claude TRICHET, disse durante conferência que é possível que a taxa seja reduzida no encontro da semana que vem.
... Para o iene, pouco adiantou a intervenção verbal do G-7, advertindo em comunicado extraordinário sobre a volatilidade excessiva da moeda japonesa, numa tentativa de conter a recente disparada, que prejudica as exportações do Japão. O iene voltou a subir para 93,57/US$. Analistas disseram que, se a moeda persistir numa escalada descontrolada, o G-7 não terá dúvida da próxima vez, partirá para uma intervenção real no câmbio.
... No mercado de energia, desafiando a OPEP, que ameaçou chamar uma nova reunião de emergência para cortar a produção, o PETRÓLEO voltou a cair. A perspectiva de uma recessão reforça a percepção entre os investidores de que os EUA estão perto de uma SUPEROFERTA de petróleo cru. Na NYMEX, o contrato do WTI para dezembro teve queda de 1,45%, para US$ 63,22 o barril. Em Londres, o tipo BRENT do mesmo vencimento registrou uma baixa de 1%, negociado no fechamento a US$ 61,41.
... Na direção inversa, subiram os METAIS, valendo-se da alta de 2,7% das vendas de casas novas em setembro em comparação a agosto nos EUA. Depois da liquidação dos últimos dias, os contratos encontraram no indicador o melhor pretexto para uma recuperação. Nas agências internacionais, no entanto, analistas não apostam numa reversão sustentável do rumo de baixa das commodities metálicas. Em Londres, o cobre para três meses fechou em alta de US$ 250, para US$ 4.020 a tonelada métrica, o chumbo (US$ 1.295) subiu US$ 25 e o alumínio teve alta de US$ 68, cotado a US$ 2.038.
... Logo após o anúncio do indicador do mercado imobiliário, os contratos futuros dos FED FUNDS reduziram de 34% para 28% a chance de vir um corte mais agressivo amanhã (quarta-feira) pelo FED no juro americano, de 75 pontos-base, para o nível de 0,75%. Mas o mercado sabe que não dá para confiar desde já numa mudança de tendência do setor de imóveis. Com o desemprego se fortalecendo nos EUA, não será do dia para a noite que a procura por moradia se recuperará. Por isso, nada impede que hoje ou depois venha um novo dado fraco, para retomar as apostas num desaperto monetário mais firme.
Em tempo... Atividade da indústria paulista avança em setembro, diz Fiesp
Divulgado nesta terça-feira (28) pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o INA (Indicador de Nível de Atividade) da indústria paulista registrou avanço de 3,7% no mês de setembro em relação a agosto, com ajuste sazonal.
Sem o ajuste, a alta na margem ficou em 1,9% na mesma comparação; e em 7,7% em relação a setembro de 2007. No acumulado dos nove primeiros meses de 2008, a atividade industrial cresceu 7,8% em relação a igual período do ano passado. Nos últimos 12 meses até setembro, o avanço foi de 8,1%.
Na mesma linha, a Fiesp anunciou a revisão dos dados do INA de agosto. Com ajuste sazonal, o indicador foi de -3% para -3,7% em relação a julho. Já sem o ajuste, a variação, antes positiva em 0,2%, foi revisada agora para -0,6%.
Nuci
O Nuci (nível de utilização da capacidade instalada) ficou, sem ajuste, em 83,5% em setembro, frente 83,7% em agosto. Com ajuste sazonal, esta variação mudou para 77,5% em setembro, ante os 75% reportados no mês de agosto.
Segundo os dados, os empresários prevêem queda em quase todos os indicadores. Entre eles: mercado, vendas, estoque e investimentos. Apenas no nível de emprego que não, já que, para este, os empresários prevêem estabilidade.
USIMINAS antecipou a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre do dia 6 de novembro para amanhã (quarta-feira), antes da abertura do mercado. Analistas esperam forte resultado no terceiro trimestre
Diante da notícia de que a Usiminas (USIM3, USIM5), uma das maiores siderúrgicas do País, adiantará a divulgação de seus resultados para o próximo dia 29, analistas de seis instituições anunciaram suas prévias para os números trimestrais da companhia.
Em geral, as equipes da Àgora, Ativa, Bradesco, Brascan, Merrill Lynch e Socopa concordaram que a Usiminas deverá reportar fortes resultados do seu terceiro trimestre de 2008, com um volume de vendas no mesmo patamar do trimestre anterior, porém com os reajustes nos preços do aço garantindo um forte incremento no faturamento.
Neste panorama, as corretoras Àgora e Socopa recomendam compra aos papéis da companhia enquanto que a Brascan sugere outperform (performance acima de média) para os ativos.
Melhor resultado do ano
Mesmo que algumas destas instituições ressaltem que os custos de produção da Usiminas serão, pelo menos, um pouco afetados pelo aumento no preço do carvão e pela desvalorização de cerca de 20% do real frente ao dólar, os analistas Raphael Biderman e Gina Montone, do Bradesco, vão além e dizem esperar que este será o melhor trimestre do ano para a siderúrgica.
Apesar de também aguardar bons resultados neste terceiro trimestre, a Merrill Lynch vê um cenário mais desafiador no período, dado que, para eles, a Usiminas deverá começar a sofrer os impactos da crise. Esta visão também é compartilhada pela equipe da corretora Ativa.
Bovespa EM 28/10/2008 às 18:15
VARIAÇÃO ÚLTIMO ABERTURA MÁXIMA MÍNIMA
13,42% 33.386,65 29.438,28 33.386,65 29.438,28
AVISO: As análises aqui declinadas têm somente o propósito exclusivamente informativo.. Essas análises não consistem em recomendações de investimentos financeiros e nem representam, necessariamente, e apenas a opinião pessoal do autor, eximindo-o de quaisquer responsabilidades por eventuais resultados de decisões tomadas com base neste conteúdo.
Nuci Mercado já vê sinais de acomodação com ação firme do BC Por Tato de Macedo BC ataca novamente O passado que condena USIMINAS As análises aqui declinadas têm somente o propósito exclusivamente informativo.. Essas análises não consistem em recomendações de investimentos financeiros e nem representam, necessariamente, e apenas a opinião pessoal do autor, eximindo-o de quaisquer responsabilidades por eventuais resultados de decisões tomadas com base neste conteúdo
enviada por Tato de Macedo
27/10/2008 11:42
Não vai passar...
A CRISE E O PERÍODO ENTRE-GUERRAS
1º Guerra Mundial - O gérmen da potência
A guerra, inegavelmente, enriqueceu os EUA, que forneciam matérias-primas e produtos industrializados para a Europa e conquistavam também os mercados sul-americanos e asiáticos.
Sua produção industrial entre 1914 e 1918, cresceu aproximadamente 15%. A extração de petróleo passou de 513 a 685 toneladas (32%); a de ferro de 45 a 80 (76%) ; a produção de aço, de 20 a 30 (65,6%).
O excedente na balança comercial passou de 435 milhões de dólares, em 1914, a 3 bilhões e 567 milhões, em 1917.
Ainda a Europa contraiu empréstimos que alcançaram a cifra de 10 bilhões de dólares, e em 1918 os Estados Unidos dominavam a metade do ouro mundial. Essa prosperidade se ampliou mesmo depois do Tratado de Versalhes: a Europa continuou a importar dos states, cuja produção atingia um verdadeiro "boom" em 1919.
O presidente Wilson, do Partido Democrata, estabelecera uma política interna de controles sobre a produção e sobre os benefícios da guerra, insatisfazendo os empresários. Isso favoreceu o Partido Republicano, que obteve a maioria no Congresso com as eleições de novembro de 1918 e entrou em conflito com o presidente na questão da ratificação do Tratado de Versalhes e da Liga das Nações: apesar da campanha de Wilson, os acordos não obtiveram no Senado a maioria necessária de dois terços.
Durante a guerra, com a intensa mobilização de mão-de-obra, a maior parte das empresas americanas estabeleceram a jornada de oito horas e o pagamento de altos salários, melhorando as condições de trabalho.
Após a guerra, a manutenção desas vantagens foi reivindicada pelos trabalhadores a partir do principal agrupamento sindical, a AFL (American Feredation of Labor), com 4 milhões de membros moderados, e dos IWW (Industrial Workers of the World) com tendências comunistas. No fim de 1919, inúmeras greves eclodiram.
Em consequência do crescimento econômico houve um desaquecimento do mercado, gerando profunda depressão em 1920 e 1921; a Europa não tinha condições econômicas para absorver os altos estoques americanos; com 5 milhões de desempregados, as greves se intensificaram.
Nas eleições presidenciais de 1920, Warren Harding, candidato dos republicanos, foi eleito com mais de 7 milhões de votos. Sua administração republicana ligou-se ao big business (grande empresariado), abstendo-se de qualquer intervenção no domínio econômico. Temendo a concorrência européia e japonesa na indústria e a cadadense na agricultura, o presidente elevou as tarifas protecionistas. A agitação social foi reprimida.
Em 1923, Warren Harding morreu, e o vice-presidente Calvin Coolidge foi reeleito em 1924. Em 1928, o ativo secretário de Estado Herbert Hoover foi triunfalmente eleito presidente, numa era de plena prosperidade.
A Prosperidade
De 1923 a 1929, a produção industrial dos Estados Unidos cresceu em 67%. A indústria de bens-de-consumo progrediu no mesmo ritmo: o automóvel tornou-se o símbolo do "the american way of life" (estilo de vida americano), e sua produção chegou a 5.300.000 veículos em 1929.
Não obstante, a circulação de capitais no mundo era intensa. Somas consideráveis foram investidas na Europa Central; assim reergueu-se a economia alemã.
Em 1929, os americanos haviam investido um total de 15 bilhões de dólares - dos quais um terço na Europa. Essa mobilidade de capitais possibilitava a prosperidade, mas determinava entre as economias um interdependência que poderia tornar-se perigosa caso houvesse uma crise.
A Grande Crise Econômica
Eis que no auge da prosperidade nasce a crise, em consequência da superprodução e das especulações. A crise agrícola persistia, endividando os agricultores e reduzindo sua capacidade de consumo de manufaturados. Os mercados urbanos lentamente ficavam saturados, apesar das vendas a crédito.
Os proventos realizados pelas sociedades possuidoras de ações continuaram a crescer, encorajando a especulação da Bolsa; assim, entre entre 1925 e 1929, as cotações na Wall Street tinham crescido duas vezes mais que a produção industrial - que, por sua vez, continuava sem um igual crescimento no consumo.
A 1a. quebra da bolsa de Nova de Iorque
No início de outubro de 1929, diversos índices inquietaram os banqueiros e investidores da Wall Street: as estatísticas revelavam uma baixa nos preços do ferro, do aço, do cobre e sobretudo uma queda nos benefícios industriais particularmente sensíveis, como o automóvel, considerado um dos principais indicativos da tal prosperidade americana (atividade econômica). As ordens de vendas das ações foram maciças.
Os especuladores calculavam que ainda era possível obter alguns lucros, mas a 21 de outubro a acumulação de ordens de venda fez baixar ainda mais os preços.
O Pânico se agravou no dia 24 de outubro - a "quinta-feira negra", o primeiro "crack da Wall Strett" - 16 milhões de títulos foram jogados no mercado sem haver compradores. A queda se acelerou nos dias seguintes, e no início de novembro as ações industriais haviam perdido mais de 1/3 de seu valor. O presidente Hoover não acreditava que se tratasse de uma crise durável, mas de uma simples recessão. Não era, como se mostrou tempos depois.
Uma ligeira recuperação nos negócios manifestou-se no inverno de 1929-1930; porém na primavera um agrupamento de seis bancos, o Sindicato Morgan, aproveitou a melhoria para vender seus títulos adquiridos a baixos preços em outubro, provocando novos pânicos.
A queda no mercado se manteve até 1932, atingindo mesmos os valores mais seguros: a US Steel caiu de 250 a 22; a Chrysler, de 135 a 5. Para superarem suas dificuldades, os bancos americanos cessaram de oferecer crédito aos países estrangeiros e repatriaram os capitais investidos a curto prazo.
A crise também foi responsável por incidentes sociais, sobretudo nas grandes potências econômicas. O desemprego foi considerável: em 1932, uavia mais de 30 milhões de desempregados no mundo, dos quais quase 17 milhões nos EUA, mais de 6 milhões na Alemanha e 3 milhões na Inglaterra.
A classe média arruinou-se. A falência foi numerosa entre os comerciantes e os pequenos industriais, incapazes de concorrer com grandes empresas muitas vezes apadrinhadas pelo Estado. Em consequência, aguçaram-se os antagonismos sociais e as tensões raciais: o desemprego atingiu mais os negros que os brancos, nos Estados Unidos; na Europa Central, reapareceu o anti-semitismo, que acabou-se convertendo no tema essencial da propaganda nazista.
Salta aos olhos que os governos liberais mostravam-se absolutamente impotentes diante da crise, num momento em que os próprios produtores passavam a considerar a intervenção estatal como um supremo recurso.
Assim, o Estado foi pouco a pouco incitado a desempenhar um papel na economia. As grandes obras públicas se tornaram uma forma de eliminação de desemprego; a ajuda financeira a algumas empresas implicava poder e controle sobre elas; a regulamentação da produção, a fixação de taxas de produção e salários, requerendo a conciliação de interesses contraditórios, fizeram do Estado árbitro e organizador da economia. Desenvolvia-se lentamente uma economia mista cujo ponto máximo seria o dirigismo e a planificação.
Nasce o New Deal, assim. A nova concepção americana de capitalismo representou uma etapa importante na evolução contemporânea dos Estados Unidos.
A ingerência do governo federal nos domínios até então reservados à iniciativa privada e no jogo da livre concorrência contribuiu para deslocar o centro motor da economia da Wall Street para Washington, além de reforçar o sindicalismo.
Durante mais de 12 anos, a democracia americana personificou-se em Roosevelt, que roi reeleito em 1940.
Tempo presente: A China
PEQUIM - O presidente do Banco Popular da China (autoridade monetária), Zhou Xiaochuan, advertiu que o país asiático "é muito dependente da demanda externa", por isso "a redução da exportação em conseqüência da crise global poderia ter um impacto negativo".
Segundo a agência oficial "Xinhua", o último relatório do organismo, elaborado para a 5ª sessão do Comitê Permanente da Assembléia Nacional do Povo (ANP, legislativo), afirma que a crise financeira mundial acrescenta certa incerteza às perspectivas de crescimento chinês, "embora não o frearão".
Além disso, acrescentou que o país deve ser cauteloso com os reajustes nas políticas, porque os preços poderiam oscilar com freqüência no futuro.
Segundo a fonte oficial, o banco central fortalecerá o sistema de supervisão e criará programas de emergência para tratar os possíveis efeitos negativos no sistema bancário chinês.
Além disso, Zhou disse que sua entidade vigiará de perto o setor imobiliário e melhorará os serviços financeiros neste mercado.
O presidente do Banco Popular da China disse que a instituição manterá estável o câmbio de divisas e deixará o mercado "ter um papel mais importante" na decisão da taxa básica de juros.
A visão oriental: Charles Tang, presidente da Câmara de ComércioBrasil-China, diz que o país tem bala na agulha para enfrentar a turbulência.
Segundo ele, a crise mostra o quanto é necessária alguma intervenção do Estado no mercado.
Os bancos não apresentam grandes problemas. Há alguns anos, uma grande parte das instituições tinha um alto índice de devedores duvidosos. A economia chinesa vinha crescendo a um ritmo muito forte e os bancos abriram capital nas bolsas internacionais e conseguiram um grande volume de captação.
De um lado, isso fez cair o número de devedores duvidosos, pela exigência do mercado. Foram vendidas posições minoritárias para os bancos internacionais (o governo mantém o controle), como o HSBC e o Citibank. Além disso, a China está hoje com 2,3 trilhões de dólares de reservas internacionais, juntamente com Hong Kong e Macau.
A China, com todas as medidas que o overno vem tomando, vai crescer nos níveis que necessita, em torno de 8% ao ano. Claro que não é uma ilha, mas não há um impacto tão negativo como em outros países. Primeiro, porque tem muita bala na agulha para enfrentar qualquer situação: 2,3 trilhões em reservas não é pouca coisa. Em segundo lugar, a China já vinha tomando medidas preventivas, ao baixar o juro e manter o câmbio desvalorizado.
Ainda estamos no início da cise. Tudo vai piorar antes de melhorar. O capitalismo praticado até o ano passado não vai mais sobreviver. O mundo hoje olha John Maynard Keynes com muito mais atenção do que Adam Smith, que foi pregado pelos Estados Unidos como uma bíblia de sucesso.
Keynes é o mais próximo do modelo dos Tigres Asiáticos, que cresceram, com um certo grau de intervenção do governo, para atingir bons resultados.
O Brasil? Vai bem, obrigado
Segundo o sextante de Carta Capital, "... A história econômica do Brasil, desde a 2a. Guerra Mundial, mostra que dois fatores abortam o nosso crescimento: a crise de energia e as crises de financiamento dos déficits em conta corrente.
O bônus do mundo nos livrou (pelo menos para os próximos anos) do segundo fator. Quanto ao primeiro, está sendo afastado lentamente. Se isso não bastasse, fomos "premiados" com outro bônus, desta vez pela natureza: a descoberta do pré-sal, que em cinco ou seis anos nos livrará, simultaneamente, das duas limitações impostas ao nosso crescimento..." Um aparte cá, nas próximas eleições votarei nessa tal "natureza" que tanto nos contempla.
"O ponto essencial, continua o velho defensor do livre-mercado, é o seguinte: com alguma inteligência e ouSadia, temos a possibilidade de crescer robustamente (5% ou 6%) nos próximos 25 anos".
Ou seja, nosso bem alimentado sextante, bem trajado, mas burro tal qual uma porta, nos provoca com uma previsão esdrúxula que a nossa economia pode crescer a uma média (aritmética) 0,24% ao ano. Ou, talvez ele tenha esquecido de acrescentar aos robustos 5 ou 6% as siglas a.a. (ao ano), o que implicaria projetar crescimento no período de 25 anos algo em torno de 100 a 150%. Tanto a primeira quanto a segunda estimativas não se apóiam na realidade e, portanto, são pífias por si só.
A destarte de seus conselhos ignóbeis, cumpre ressaltar que essa crise não vai passar nem tão cedo, não ao cabo de, no mínimo, 2 anos; e não duas semanas como apregoa Bush e aliados.
Mas é bem verdade que passará, sim, para a história como a 1a. quebra da Bolsa de São Paulo - haja vista já ter seus ativos depreciados (despencados) em mais de 50% -,e, provavelmente, de outras que virão a seguir.
Por fim, concordamos que nosso país está mais preparado. Mas, discordamos quanto às causas defendidas pelo medíocre economista Antonio Delfim Netto.
Estamos mais preparados, sim, graças, em primeiro lugar, aos ônus inflingidos à grande massa trabalhadora; em segundo, aos sacríficios de uma classe média imediatista, que consome desvairadamente; e, em terceiro lugar, ao sucesso das estratégias do governo federal sob a batuta do presidente Lula e.
enviada por Tato de Macedo
24/10/2008 12:11
ESSE É O MOMENTO
O Banco Nossa Caixa auferiu lucro de R$ 411 milhões no 2T08, com evolução de 37,9% ante o mesmo período anterior.
Já pelo viés do lucro recorrente, cumpre dizer que o Banco Nossa Caixa não divulga esse valor, logo fizemos um esforço para tentar aproximarmos do que seria o mais adequado. (Cadê a Governaça Corporativa?)
Nesse sentido, o Banco contabiliza uma média, por trimestre, de R$ 100 milhões em despesas com contingências cíveis, sendo que consideramos essas recorrentes. Todavia, especificamente no 2T08, ocorreram um acréscimo fora do ponto, em R$ 185,9 milhões, diante de um número pequeno, mas relevante em valor, de despesas para contingências cíveis (reclamações de pagamento de diferenças de remuneração de depósitos judiciais relativas aos Planos Econômicos). Esse valor de R$ 185,9 milhões nós não consideramos como recorrente.
De outro modo, também não consideramos recorrente as receitas com crédito tributário. O saldo foi de um lucro recorrente de R$ 95 milhões no 2T08, o que é um valor pequeno, mas mostra uma trajetória ascendente, em relação ao trimestre anterior (leve prejuízo, pelo viés recorrente).
A par disso, destacaram-se o avanço nas operações de crédito em consignados (10,6% no intervalo do 2T08 e 34,4% em doze meses), melhor qualidade na carteira de crédito (com queda no índice de índice de inadimplência) e ampliação das receitas de serviços, decorrente do maior volume de cross seling, em que pese à extinção da cobrança da TAC.
Do universo da carteira de crédito, 74,6% advém de pessoa física (R$ 7,9 bilhões) e 25,4% de pessoa jurídica (R$ 2,1 bilhões). No segmento de pessoa física, 51,9% são créditos consignados (R$ 4,1 bilhões), basicamente com os clientes servidores públicos do Estado de São Paulo. O índice de inadimplência, por sua vez, foi de 5,2% em junho de 2008, com recuo no trimestre (5,7% em março de 2008), denotando um melhor monitoramento. Paralelamente, também ocorreram melhorias de ratings, bem como o saldo de PDD em relação aos atrasos acima de sessenta dias perfizeram 134,1%, podendo-se considerar adequado.
PONTOS POSITIVOS X PONTOS NEGATIVOS
Baixo custo de captação, visto que 78% de seu funding é proveniente de depósitos judiciais e poupança (TR mais 0,5% a.a.);
Com o avanço tecnológico de suas agências e a oferta de novos produtos, é lícito admitir melhor performance futura, diante da transferência da folha dos funcionários ativos do Estado de São Paulo, advinda do Banespa, que ocorreu em 01/jan/07;
sua presença é no Estado que contempla o maior PIB do País.
Há o risco objetivo de pendências judiciais na seara cível;
Acentuado risco mercado por que passam todas as empresas no calor da crise financeira globalizada;
quadro concorrencial acirrado, sobretudo nos nichos de atuação do Banco, que são pessoas físicas e pequenas e médias empresas;
diante de sua condição de banco do Governo do Estado, a Nossa Caixa está sujeita a interferências políticas na sua gestão. O ingresso no Novo Mercado mitiga esse risco, mas não o elimina.
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
Pelo lado da captação, sabe-se que o mix dos depósitos é composto por 46,1% depósitos judiciais, 32,4% poupança, 10,9% a prazo e 10,6% à vista.
Conforme assinalado, a remuneração dos depósitos judiciais é a mesma concedida aos depósitos de poupança (0,5% a.m. + TR), o que lhe permite um custo de captação competitivo, a despeito das reclamações judiciais.
Registra-se que no âmbito de sua busca pela ampliação no crédito de consignados, no 1S08 firmou Acordo acordo de cessão de carteira com o Banco BMG, com coobrigação. Nesse sentido, o BMG se compromete a repassar mensalmente R$ 100 milhões em créditos à Nossa Caixa. Afora isso, efetuou parcerias com agentes promotores de vendas nesse segmento.
Recomendação de Mercado
Manutenção em Carteira
Em maio último, o Banco do Brasil divulgou Fato Relevante, comunicando que iniciou tratativas com o Governo do Estado de São Paulo, visando à incorporação do Banco Nossa Caixa.
Os resultados do Banco Nossa Caixa, por um lado, vêm sendo impactados pelas despesas de contingenciamentos cíveis e, por outro, pelas receitas com créditos tributários.
Sua aquisição pelo BB tende a diluir os custos não recorrentes, além de agregar escala no crédito de consignados.
Posto isso, no 2T08 já verifica-se uma melhora nos indicadores de inadimplência do Banco Nossa caixa, decorrente de um melhor controle da carteira de crédito, com avanços de ratings, à luz da Res. 2.682 do Bacen.
O planejamento do Banco está voltado para o aperfeiçoamento tecnológico, seja das agências, seja dos controles de custos e crédito, sendo crucial o sucesso nesse sentido, a fim de poder reter a movimentação da conta dos servidores do Estado de São Paulo, dado o quadro concorrencial acirrado.
Um dos trunfos do Banco é de operar com adequada margem para alavancagem, o que lhe possibilita folga para o propósito do crescimento de sua carteira de crédito, cuja meta é 35% para 2008, sendo que os focos são os segmentos de consignados e empresas fornecedoras para o Estado de são Paulo.
Analista responsável pela análise: João Augusto Frota Salles
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Sobre o Risco Mercado
Bovespa vai voltar a bater recordes, diz associação
Por Fabiano Klostermann
Direto de São Paulo
Apesar da turbulência dos mercados internacionais, que afugentou nos últimos meses os investidores da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a estratégia é persistir, porque a tendência é sempre de alta.
A opinião é de Lars-Erik Forsgaardh, presidente da Federação Mundial dos Investidores (WFIC, da sigla em inglês).
"A maioria das pessoas não está familiarizada sobre como o mercado funciona. Ele sempre vai para cima e para baixo. O importante é saber que a tendência é sempre para cima. A última alta é sempre maior do que a do ciclo anterior. O difícil é saber como entrar nessa tendência sem perder dinheiro", afirma.
Mesmo com o conselho, Forsgaardh reconhece que a evolução no número de investidores pessoa física em bolsas de valores no País, que saltou de 85.249, em 2002, para 529.089, em agosto de 2008, pode ser freada pela recente crise.
"Investidores individuais são muito sensíveis a abalos como este, eles tendem a abandonar os investimentos em ações. Não são todos, mas muitos abandonam. E este é o grande problema ", explica.
Segundo ele, os investidores cometem alguns erros comuns. "Eles entram muito tarde no mercado, geralmente investindo muito em poucas ações e de forma comum nas ações que tiveram as maiores altas. Eles pensam que o céu é o limite, e não é", diz.
Neste ano, a variação do Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, do seu ponto mais alto até o mais baixo, chega a 41%. O topo do indicador ocorreu no fechamento de 20 de maio, aos 73.516 pontos, e o fundo do poço verificado aos 30.879 pontos atuais. Ou seja, uma perda, temporária, de 59% nos preços de mercado das empresas listadas na Bovespa, em média.
Essa intensa variação levou os investidores a reduzirem o volume movimentado na bolsa. Segundo dados da Bovespa, as pessoas físicas no mercado movimentaram, entre compra e venda de ativos, R$ 21,79 bilhões em agosto - o menor valor desde dezembro de 2007 (R$ 19,5 bilhões). No ponto mais alto do ano, os investidores individuais brasileiros chegaram a movimentar R$ 36,79 bilhões, dado obtido em maio deste ano.
Conselhos
O presidente da WFIC explica que a compra de ações com boas perspectivas independe do desempenho do mercado como um todo. "Você deve sempre olhar para os fundamentos da companhia e não somente o desempenho do mercado. Você deve olhar para cada empresa separadamente e depois fazer sua decisão", aponta Forsgaardh.
Se esses fundamentos forem observados, a saída da bolsa não é uma opção recomendável. "Eu não sei exatamente como a Bovespa se comportou nos últimos seis meses, mas com certeza ela caiu. Eu não sei o quanto. Provavelmente, é muito tarde para sair do mercado. Se a companhia que você tem ações é uma boa companhia, uma empresa forte, com dividendos e lucros estáveis, talvez você deva considerar manter os papéis até o mercado se recuperar", diz.
Outra dúvida dos investidores é sobre o quanto das economias investir em bolsas de valores. Mas a resposta é "variável", segundo Forsgaardh.
"Isso depende de qual é a sua meta de investimento. Se você é jovem e tem tempo à sua frente, 90% (de suas economias) podem ser investidos em bolsa de valores. Mesmo se você tem 40 anos, ainda há 20, 25 anos de economias pela frente, 100% podem estar em bolsas de valores. Há vários estudos que confirmam isso, sem dúvidas. Quanto menos tempo você tiver, mais deve estar na conta do banco (ao invés de em renda variável)", aponta o presidente da WFIC.
Outro fator citado por ele como fundamental para a escolha do investimento é o prazo em que o investidor vai necessitar daquele dinheiro. "Eu ressalto, se você precisa do dinheiro no ano que vem, eu diria... em uma situação como a de hoje... 100% do seu dinheiro deveria estar na sua conta bancária", diz.
Além do congresso mundial da WFIC, Forsgaardh participou da 6ª Expo Money São Paulo. O evento, que foi de 17 a 19 de setembro, no Transamérica Expo Center, teve 180 palestras para investidores, além da exposição de empresas listadas na Bovespa.
CONCLUSÃO DO Blog do Tato
Essa é a hora para o Banco do Brasil incorporar o Banco Nossa Caixa. O preço de mercado (r$ 28,70 p/ ação) está bem próximo do preço justo. Infere-se daí que as perspectivas de ganhos futuros são menos que otimistas, uma obviedade.
Mas vale a recomendação de qual seria a melhor aplicação para o seu rico dinheirinho: Depende, fundamentalmente, do quanto você está disponível a perder. Quanto maior o risco, maior o lucro a obter. Quanto menor o risco, menor a possibilidade de lucro.
enviada por Tato de Macedo
27/09/2008 18:46
Nossa Caixa?
Ainda compensa entrar na maior valorização do Ibovespa no ano?
O ano de 2008 aproxima-se de seu fim e a tão sonhada recuperação dos mercados não ocorrerá, pelo menos não num período inferior a dois anos, considerando a aprovação do pacote de 700 milhões de dólares a Wall Streat pelo congresso norte-americano, o qual, como é sabido, não resolve a totalidade das consequencias criadas pelas distorções do mercado imobiliário norte-americano, apenas mitiga metade da falta de liquidez do mercado financeiro estimada em 1,3 trilhões de dólares.
A crise desencadeada já é tida como um divisor de águas no sistema financeiro internacional. Se até aqui o liberalismo econômico foi levado a seu extremo e fracassou, ninguém mais questiona se é certo ou errado o Estado intervir, é necessário. E uma vez que não há sinais de arrefecimento no curto prazo, trazendo a cada semana uma referência negativa inédita, a única certeza que se tem é de continuidade da volatilidade como tendência reinante, inviabilizando quaisquer estratégias sólidas de aplicações na renda variável.
Em se tratando de um mercado onde não impera a racionalidade e sim a emocionalidade de seus agentes, e considerando o cenário atual, múltiplos e fundamentos de pouco servem quando há tamanho nervosismo entre os investidores. Nesse sentido, papéis de empresas reconhecidamente promissoras mergulham no vermelho esse ano, haja vista a Sadia que amargou num só dia (26/09/2008) desvalorização de 35,48% na Bovespa, por conta de decisões financeiras equivocadas de sua diretoria. Decisões essas que não vem a público senão quando a inadimplência torna-se conhecida e, certamente, outras gigantes deverão tombar pois muita gente incapacitada, mas escolhidas, continuam a imperar nas organizações mais proeminentes do mercado.
O índice brasileiro já viu mais de 20% de sua pontuação cair por terra neste ano, desapontando aqueles embalados pela onda de valorização do mercado brasileiro nos últimos anos. Mas há exceções - poucas, é verdade. A principal delas é o desempenho dos papéis ordinários da Nossa Caixa (BNCA3), que acumulam uma valorização de nada menos que 82,27% em 2008.
Inflexão responde por Banco do Brasil
A performance surpreende especialmente quando colocada sob uma perspectiva histórica. Prejuízos já deram o tom dos balanços contábeis da companhia, penalizados principalmente por pesadas provisões decorrentes de processos trabalhistas, resultado de uma má gestão onde não são observados os mínimos requisitos de boa governança.
O responsável por tal inflexão responde pelo nome de Banco do Brasil (BBAS3).
Os primeiros sinais de interesse do banco na Nossa Caixa foram dados ao mercado em meados de maio deste ano, embora especulações à época já não tornassem o fato uma surpresa propriamente dita. Ainda assim, a confirmação dos rumores teve um efeito inegável sobre as ações do banco paulista. Até 20 de maio, a alta dos papéis no ano beirava apenas os 15%, lado a lado com a valorização do Ibovespa.
A pergunta crucial
Frente a tal cenário, poucos são os que não se sentem tentados a entrar nos papéis da Nossa Caixa, visando a incorporação do banco pelo BB, que estaria mais próxima e certa - novas declarações acerca do assunto foram dadas na última quarta-feira pelo presidente do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto.
Entretanto, será que as ações ainda possuem espaço adicional de valorização? Indagada, Kelly Trentin, analista da SLW Corretora, acredita que a resposta para tal pergunta está, na verdade, em outro questionamento: o preço a ser pago pelo Banco do Brasil em sua aquisição. Ainda que haja muita especulação em torno do negócio, o valor permanece uma incógnita para os mercados. Além do impasse no preço a ser estipulado, há ainda uma outra questão: O BB tem como prática em suas aquisições pagar com suas próprias ações, o que por si só desestimulou o governador paulista e torna-se ainda mais perigoso em cenário de alta volatilidade dos mercados.
"Entrar no papel neste momento pressupõe que o preço a ser pago pelo Banco do Brasil será superior ao vigente atualmente no mercado", afirma Trentin, que vai além: "há muito tempo, a ação da Nossa Caixa não responde mais ao noticiário tradicional de seu setor, tampouco às perspectivas em torno de seus próximos resultados".
Portanto, nada mais racional que se ter uma postura cautelosa diante desses papéis e não precipitar uma decisão cujo cenário atual é desfavorável, mas alentador no longo prazo, caso não tenhamos um colapso do sistema financeiro.
Afinal, quem antes vestia prada está, agora de pires na mão, suplicando socorro "socialista" ao estado.
enviada por Tato de Macedo
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